17/09/2010 23:30 – sexta-feira, 17 de setembro de 2010.
Dinheiro pelo ralo
Ipatinguenses alegam ter sido enganados por imobiliária

DA REDAÇÃO – Cerca de 20 brasileiros que vivem nos Estados Unidos, em sua tentativa de realizar o sonho da casa própria, alegam ter sido enganados por uma imobiliária criada na terra do Tio Sam. Os imigrantes contrataram a Pablo Maia Group, empresa de propriedade de um brasileiro que agencia a venda de imóveis, e efetuaram a compra de apartamentos no Bairro Veneza, em Ipatinga. Os clientes alegam ter quitado as parcelas do contrato com regularidade, sem receber o imóvel no prazo estabelecido pela empresa. O caso foi denunciado à Central do Trabalhador Imigrante, em Massachusetts, onde os queixosos descobriram que os apartamentos não foram sequer construídos na sua totalidade.

O apartamento modelo vendido na planta pela imobiliária possui dois quartos, uma suíte, um banheiro social, salas de estar e jantar conjugadas, cozinha, área de serviço, varanda e garagem para um carro. O imóvel faz parte do Residencial da Costa, construção de 3.460,38 m² na Rua Campinas, no Bairro Veneza, com um total de nove pavimentos.

De acordo com as denúncias, a empresa americana contratou a R da Costa Empreendimentos Imobiliários, construtora de Ipatinga, para construir os apartamentos. “As unidades deveriam ter sido entregues no prazo máximo de janeiro de 2009, mas até hoje as obras não foram feitas por completo”, explicou o advogado contratado no Brasil por oito pessoas lesadas na negociação. “A maioria dos compradores já quitou o pagamento, que varia de R$ 105 a R$ 118 mil, mas até hoje não receberam o que foi prometido pela empresa”, afirmou o advogado.

Transferência de responsabilidade
Ainda segundo as denúncias feitas pelos brasileiros, por falta de dinheiro a construtora teria paralisado as obras pela metade e repassado o investimento para uma empresa de consultoria pública que prestava serviços à R da Costa. “Nessa época a obra foi embargada pela justiça, pois ela não poderia ser repassada a terceiros. Ficamos sabendo que ela voltou para a construtora, mas logo depois a consultoria retomou a administração da obra”, alegou o Pastor Gessé Dornelas, um dos lesados.

Segundo o advogado dos compradores, a consultoria teria reunido os contratantes com a promessa de finalização da obra, fazendo um aditivo no contrato com a cobrança de mais R$ 1 milhão para terminar a construção do imóvel.

“A empresa falou que só iria entregar os apartamentos se cada um de nós pagasse mais R$ 30 mil, além do valor que já havia sido pago”, afirmou Gessé.

Voto de confiança
De acordo com o advogado, a consultoria teria pedido que os clientes cessassem o pagamento referente ao primeiro contrato, que era realizado por meio de boleto, e quitassem apenas o valor do novo contrato. “Um sócio da empresa enviou um e-mail para os representantes do negócio nos Estados Unidos afirmando que a R da Costa havia falido e que a obra tinha passado para as mãos da consultoria. Com isso os compradores confiaram nessa segunda proposta e aceitaram o novo contrato”, contou o advogado, dizendo que muitos compradores chegaram a pagar o valor correspondente aos dois contratos na esperança de receberem o imóvel.

Além de pagar um total de R$ 65 mil e não receber o apartamento, Gessé acusou a consultoria de vender o imóvel comprado por ele. “A empresa não devolveu meu dinheiro, me colocou como inadimplente e ainda vendeu o apartamento para outras pessoas”, disparou o comprador, dando um aviso para quem pretende entrar nesse tipo de negócio: “Se possível, não comprem apartamento na planta e não confiem em nenhuma imobiliária aqui dos EUA, por mais nome que ela tenha. Para fazer esse tipo de empreendimento é preciso buscar uma empresa que tenha nome no Brasil e investigar sua história”, reforçou o pastor. (Com informações do site Comunidade News).

Construtora responsável pela obra estaria operando em Fabriciano

A reportagem do jornal VALE DO AÇO não conseguiu entrar em contato com a R da Costa Empreendimentos Imobiliários. De acordo com o CREA-MG (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Minas Gerais), a empresa está com o registro impedido temporariamente, não podendo tocar obras na região, já que não dispõe de responsável técnico registrado.

Por telefone, a reportagem entrou em contato com a consultoria, na tarde desta sexta-feira (17), mas uma pessoa que se identificou como do setor jurídico da empresa disse que não estava autorizada a dar informações. A mesma pessoa informou que somente um sócio da consultoria poderia se pronunciar, mas estava viajando. Por volta das 16h, o sócio citado procurou o jornal, mas insistiu que fosse preservada sua identidade e também o nome de sua empresa.

Conforme ele argumentou, não teria havido um segundo contrato com os compradores, mas apenas a quebra do primeiro contrato. Os adquirentes dos imóveis teriam ficado receosos ao tomarem conhecimento de que um prédio tocado pela mesma construtora teve as obras paralisadas, no Bairro Bom Retiro, e assim interromperam a quitação das parcelas.

O sócio da consultoria diz que, tendo havido a quebra de contrato com a falta dos pagamentos, a construtora se viu livre para renegociar os imóveis com outras pessoas. Diante desta situação é que dois compradores teriam aceitado a nova negociação.

Finalizando suas declarações, o sócio da consultoria disse que a R da Costa continua em atividade, operando, no entanto, com sede no distrito de Melo Viana, em Coronel Fabriciano.